PROPOSTA 3 DE 3
Gestão Transparente
O Problema
O Brasil gasta muito e entrega pouco. O gasto público como percentual do PIB está entre os mais altos do mundo, mas os serviços públicos entregues estão muito aquém do que o cidadão paga. Hospitais lotados, escolas precárias, ruas em mau estado, segurança pública insuficiente — enquanto a máquina pública cresce, os resultados para o cidadão encolhem.
O Rio de Janeiro é um exemplo doloroso desse paradoxo: um estado com enorme receita, recursos naturais e potencial econômico — mas com finanças cronicamente desequilibradas e serviços públicos que decepcionam. O problema não é falta de dinheiro. É falta de gestão.
O Diagnóstico
Washington Sorio, com décadas gerindo organizações complexas, identifica três falhas sistêmicas:
- Ausência de cultura de resultados: o servidor público raramente é avaliado por resultados entregues. Sem métricas claras, não há como saber se o dinheiro público está sendo bem aplicado.
- Cargos por indicação, não por competência: posições estratégicas na administração pública são preenchidas por critérios políticos, não técnicos. O resultado é uma gestão amadora de recursos que deveriam ser profissionalmente administrados.
- Desperdício estrutural: contratos superfaturados, licitações direcionadas, duplicação de estruturas — o desperdício não é acidente, é estrutura. Combatê-lo exige ferramentas de controle que o setor privado usa rotineiramente.
As Propostas
1. Indicadores de Desempenho Acessíveis à População
Proposta de legislação que obriga os órgãos públicos federais a publicar, trimestralmente, indicadores de desempenho compreensíveis para o cidadão comum — não apenas relatórios técnicos ininteligíveis. Métricas como tempo médio de atendimento em serviços públicos, custo por resultado entregue e taxa de execução orçamentária com descrição qualitativa do uso dos recursos.
A transparência não é fim — é meio. Quando o cidadão pode ver e entender o que está sendo feito com seu dinheiro, cria-se pressão social legítima por melhoria contínua.
2. Cargos por Competência, Não por Indicação
Defesa de processos seletivos transparentes e baseados em competências para cargos de gestão pública estratégicos. Proposta de critérios mínimos de qualificação para cargos de DAS (Direção e Assessoramento Superiores) e equivalentes, com avaliação de perfil técnico e gerencial como requisito mínimo.
Washington Sorio sabe por experiência que a qualidade da liderança determina o resultado da organização. Um gestor incompetente no setor privado é demitido. No setor público, permanece — muitas vezes promovido. Isso precisa mudar.
3. Combate Estrutural ao Desperdício
Apoio a instrumentos de controle que o setor privado já usa: auditoria interna independente com poder de ação, gestão de contratos com cláusulas de performance, análise de custo-efetividade antes de qualquer investimento público significativo.
Proposta de criação de "grupo de eficiência" no âmbito da Câmara dos Deputados, com expertise técnica em gestão pública, para revisar periodicamente programas federais e recomendar extinção, reformatação ou expansão com base em evidências de resultado.
4. Gestão de Pessoas no Serviço Público
Proposta de modernização da gestão de pessoas no serviço público federal: avaliação de desempenho com efeitos reais na carreira, planos de desenvolvimento individual para servidores, e remuneração variável atrelada a resultados coletivos e individuais — dentro dos limites constitucionais e com respeito à isonomia.
O servidor público brasileiro, em sua maioria, quer fazer um bom trabalho. O problema é que o sistema frequentemente não o permite — nem o incentiva. Uma boa gestão de pessoas no serviço público libera esse potencial.
Como Medir o Sucesso
100%
dos órgãos federais com dashboard público de indicadores
-15%
meta de redução de desperdício em contratos revisados
+30%
cargos estratégicos preenchidos por critérios técnicos
Referências e Embasamento
As propostas se baseiam em melhores práticas de gestão pública documentadas:
- Estudos do Banco Mundial sobre eficiência do gasto público no Brasil
- Experiências de gestão por resultados em países como Chile e Uruguai
- Relatórios do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre desperdício e ineficiência
- Melhores práticas do Canadá e Nova Zelândia em gestão pública baseada em evidências
- Pesquisas do IPCA e IBRE sobre custo da burocracia no Brasil
"Política precisa voltar a ser serviço, não privilégio. E serviço se mede por resultado — não por intenção."