45% dos brasileiros se identificam como de direita ou centro-direita. 29% como de esquerda ou centro-esquerda. 5% como de centro. Esses números são do levantamento PoderData/Aya, publicado em agosto de 2026, com campo entre 9 e 12 de agosto de 2026.
Somados, os dois polos concentram 74% do eleitorado. O centro, que deveria ser o espaço da disputa por resultado, praticamente desapareceu do mapa ideológico.
Mas há um dado que não combina com essa narrativa.
A pesquisa Genial/Quaest mostrou que 43% dos eleitores do Estado do Rio preferem um governador independente do presidente da República. Apenas 28% querem um nome bolsonarista. Apenas 24% um aliado de Lula. Esses recortes foram divulgados em veículos de imprensa em agosto de 2026.
Isso não é contradição. É um sinal que o debate político insiste em ignorar.
O eleitor pode ter identidade ideológica e, ao mesmo tempo, querer que o gestor entregue resultado independente de Brasília. São coisas diferentes. Uma é crença. A outra é exigência de desempenho.
O problema é quando a política trata as duas como a mesma coisa.
Quando isso acontece, o debate eleitoral vira disputa de torcida. E segurança, saúde, mobilidade e custo de vida perdem espaço na agenda, não porque o dinheiro sumiu, mas porque ninguém está gerindo com foco no que entrega.
Passei mais de 30 anos dentro de organizações aprendendo que identidade não substitui meta. Você pode ter os valores certos e ainda assim entregar errado, se não houver método, prazo e responsável.
O que falta no debate não é mais intensidade ideológica. É mais especificidade sobre o que vai ser feito, por quem e como será medido.
Crença é ponto de partida. Gestão é o que chega ao destino.
Washington Sorio
3071 — Deputado Federal RJ | Partido NOVO
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