70% dos contratos do Instituto Rio Metrópole apresentam irregularid…

Washington Sorio

70% dos contratos do Instituto Rio Metrópole apresentam irregularidades. Desvios estimados em até R$ 150 milhões foram apontados em reportagem do jornal O Globo, publicada em julho de 2026.

O IRM foi criado para articular melhorias urbanas na Região Metropolitana do Rio. Ou seja: o órgão desenhado para coordenar o gasto virou, segundo a auditoria, um mecanismo de desvio de verba pública.

O mesmo levantamento sobre obras em curso no Rio traz números expressivos: R$ 1,5 bilhão para drenagem e enchentes; R$ 702,9 milhões para urbanização de Rocinha, Complexo do Alemão e outras comunidades via Novo PAC; e R$ 5,05 bilhões na BR-101. Os valores são apresentados com base em recursos federais e contratos assinados, conforme reportagens e registros citados no noticiário.

O problema é que verba federal que entra num sistema com 70% de contratos irregulares não vira obra. Vira investigação.

Para quem mora em área de risco no Rio, isso tem consequência direta. A encosta que deveria ter sido contida continua exposta. O reservatório de retenção que reduziria o alagamento na Zona Norte continua no papel. O prazo escorrega. A placa de inauguração some.

Não é falta de recurso anunciado. É falta de governança antes do recurso chegar.

Passei décadas em ambientes onde contrato sem critério de medição, sem responsável identificado por etapa e sem auditoria durante a execução é contrato que falha. Não eventualmente. Sistematicamente.

O que o caso do IRM revela não é novidade. É o padrão. E padrão não muda com mais verba. Muda com controle anterior ao gasto, não posterior ao escândalo.

Dinheiro público que não tem rastreabilidade não é investimento. É risco com prazo de descoberta.

Washington Sorio
3071 — Deputado Federal RJ | Partido NOVO
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