72 anos de reclusão mantidos. Cargo perdido. Indenização de R$ 200 mil fixada.
A 1ª Câmara Criminal do TJRJ negou o recurso da defesa do capitão de fragata Cristiano da Silva Lacerda e manteve a condenação pelos homicídios qualificados dos ex-sogros, cometidos em junho de 2022 na zona Sul do Rio.
O que chama atenção não é a pena. É o que o caso revela sobre o sistema.
O recurso pediu anulação do julgamento por supostas irregularidades processuais. O tribunal analisou e rejeitou. O júri popular decidiu em dezembro de 2025. A câmara criminal confirmou em junho de 2026. O rito funcionou.
Isso importa porque não é o que acontece na maioria dos casos.
Geraldo, 73 anos. Osélia, 72 anos. Mortos pelo inconformismo de alguém com o fim de um relacionamento. Duas vidas encerradas por uma decisão que não tinha justificativa.
A família deles viu o processo correr, o júri decidir e o tribunal confirmar. Isso não devolve nada. Mas é o mínimo que o sistema deve entregar.
O problema é que esse mínimo não é garantido para todos.
Quando o réu tem recursos para recorrer em múltiplas instâncias, o processo se estende por anos. Quando não tem, pode ser diferente, mas nem sempre melhor. O que determina o resultado com frequência não é a evidência. É a capacidade de navegação dentro do sistema.
Justiça que funciona por exceção não é justiça. É sorte.
Um sistema penal sério precisa de rastreabilidade, prazos que sejam cumpridos e responsabilização que não dependa de qual advogado está na sala.
Gestão não é só sobre orçamento e obras. É sobre fazer o Estado entregar o que prometeu, inclusive quando o que está em jogo é a vida de duas pessoas de 73 e 72 anos que não fizeram nada além de existir.
Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo #AndreMarinho #Zema #NOVO30
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