95% das Unidades Básicas de Saúde brasileiras têm prontuário eletrônico. Apenas 6% estão integradas à Rede Nacional de Dados em Saúde.
Esse número não é curiosidade técnica. É o retrato de um sistema que digitalizou a aparência sem digitalizar a função.
O que isso significa na prática: um médico da UBS não consegue acessar o histórico do paciente atendido no hospital da rede estadual. A gestão municipal não enxerga o que a gestão estadual está fazendo. E o Ministério da Saúde planeja com dados fragmentados.
Sem integração, não existe inteligência. Existe arquivo.
O custo disso aparece onde menos se fala: no paciente crônico que repete exames porque o sistema anterior não conversa com o atual. Na epidemia que poderia ter sido detectada antes. No recurso alocado no lugar errado porque o dado que orientou a decisão estava desatualizado.
Um relatório do Banco Mundial estimou que a integração entre os níveis de atenção à saúde poderia gerar ganhos de cerca de R$ 7, 7 bilhões ao sistema. Esse número tem quase uma década. O problema continua.
Passei 30 anos gerindo operações onde dado errado tem consequência direta. Aprendi que sistema sem integração não é sistema. É um conjunto de ilhas que fingem se comunicar.
Gestão pública de saúde não precisa de mais equipamento desconectado. Precisa de método, padrão e cobrança por resultado mensurável.
Infraestrutura que não entrega dado útil não é modernização. É gasto sem retorno.
Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo #AndreMarinho #Zema #NOVO30