A investigação da Operação Perigosa Caneta, deflagrada pela Polícia…

Washington Sorio

A investigação da Operação Perigosa Caneta, deflagrada pela Polícia Federal em Volta Redonda em julho de 2026, começou por uma denúncia anônima. Não por monitoramento da Anvisa. Não por inteligência sanitária integrada. Por uma denúncia.

Isso revela um padrão que vai além deste caso específico: o Estado brasileiro, na maior parte das vezes, reage quando alguém avisa. Medicamentos emagrecedores sem registro na Anvisa sendo importados e comercializados ilegalmente, segundo a PF, em dois bairros de Volta Redonda, com três mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Federal de São João de Meriti. A estrutura existia. O risco existia. O sistema não detectou.

Para quem comprou esses produtos, o problema é concreto: sem registro na Anvisa, não há controle de composição, dosagem ou contraindicação. Não há rastreabilidade. Não há responsável técnico. O consumidor assume um risco que desconhece, muitas vezes acreditando estar adquirindo algo legítimo.

A operação foi bem executada. Mas operação pontual não substitui sistema de vigilância ativo. A diferença entre reagir a uma denúncia e detectar o problema antes que ele escale é exatamente a diferença entre gestão reativa e gestão que funciona. Quem entende de processo sabe: quando o controle depende de sorte ou de um informante anônimo, ele não é controle. É improviso com nome oficial.

Washington Sorio
Candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo

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