A pobreza caiu. A desigualdade subiu. Ao mesmo tempo.
O índice de Gini nas metrópoles brasileiras passou de 0,533 (2024) para 0,541 (2025). Isso significa que, mesmo com menos pessoas na pobreza extrema, a renda ficou ainda mais concentrada no topo.
Esse é o tipo de dado que gestores conhecem bem: quando o indicador errado melhora, a gestão celebra. Quando o indicador certo piora, ninguém responde.
No Rio de Janeiro, esse padrão tem endereço concreto. É o trabalhador da Zona Norte que sai às 5h e chega duas horas depois num emprego informal. É a família da Baixada que depende de um serviço público que existe no papel, mas não funciona na prática. É a sensação de que o Estado avança em algum lugar, mas não onde você vive.
Investimento sem método não reduz desigualdade. Pode até ampliar a distância, se os recursos chegarem apenas onde a infraestrutura já é melhor.
O problema não é falta de recurso. O Brasil gasta mais de um terço do que produz na máquina pública. O problema é que o modelo atual mede intenção, não resultado. Anuncia investimento, não entrega.
Passei 30 anos em ambientes onde dado errado custa caro. Aprendi que indicador sem cobrança é decoração. Meta sem prazo é promessa.
Gestão séria começa por medir o que é real, publicar o que foi medido e cobrar entrega sobre cada ponto do mapa.
Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo
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