A UPA lotada não é o problema. É o sintoma. O Conselho Nacional de…

Washington Sorio

A UPA lotada não é o problema. É o sintoma.

O Conselho Nacional de Saúde promoveu, em julho de 2026, um seminário sobre a Política Nacional de Atenção Básica. O debate central era simples: quando a porta de entrada do SUS não funciona, o paciente vai direto para o hospital. E o hospital, que deveria tratar o caso grave, passa a tratar o que a unidade básica deveria ter resolvido antes.

Isso tem nome na gestão: falha de fluxo. E tem custo real: mais espera, mais pressão sobre equipes e mais recurso gasto no lugar errado.

Eu já conduzi transições em organizações com centenas de pessoas. O que aprendi é que sistema sobrecarregado raramente tem problema de capacidade total. Tem problema de distribuição. O gargalo está antes, não no final da fila.

No estado do Rio de Janeiro, essa lógica é ainda mais crítica. A rede é pressionada por desigualdade territorial, eventos climáticos que aumentam demanda aguda e uma fragmentação histórica entre o que a atenção básica entrega e o que o hospital recebe.

Conferência aprova proposta. Seminário debate política. Conselho recomenda.

Mas o paciente que chega à UPA às 23h com uma crise hipertensiva que poderia ter sido controlada num posto de saúde não está esperando por mais um documento aprovado.

Gestão de saúde não começa no hospital. Começa na unidade básica que funciona, com equipe, que acompanha o crônico antes que ele vire emergência.

Quem entende de operação sabe: o custo de não prevenir é sempre maior do que o custo de prevenir.

Washington Sorio
3071 — Deputado Federal RJ | Partido NOVO
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