Cerca de 400 mil pessoas aguardam atendimento na rede pública de saúde do Estado do Rio de Janeiro. Esse número apareceu no primeiro debate ao governo do estado em 2026, trazido por candidatos como dado central da crise.
O debate que se seguiu foi sobre o que fazer com a fila. Centros regionais integrados, parceria com o privado, mutirões, telemedicina. Todas essas propostas têm mérito. Mas nenhuma delas resolve o problema de raiz se o sistema continuar operando sem meta definida, sem responsável identificado e sem cobrança por entrega.
O Conselho Estadual de Saúde do RJ discutiu, em julho de 2026, a homologação de concurso da Secretaria Estadual de Saúde e a recomposição de equipes. Isso revela algo que o debate de campanha ainda não processou com clareza: parte do problema não é de estrutura física nem de modelo de parceria. É de capacidade operacional básica. Posto sem médico fixo não atende. Equipe incompleta não previne. Fila não fecha com anúncio.
Para quem depende do SUS na Baixada, na Zona Oeste ou no interior do estado, a pergunta não é qual modelo é ideologicamente correto. A pergunta é: quando eu chegar, vai ter atendimento?
Passei 30 anos gerindo operações complexas, com centenas de pessoas, em cenários de pressão real. O que separa uma estrutura que funciona de uma que apenas existe é simples: responsabilidade certa no lugar certo, meta definida e cobrança por resultado. Saúde pública não é diferente de qualquer outra operação de alta complexidade. O problema começa antes da fila. Começa na ausência de gestão.
Washington Sorio
3071 — Deputado Federal RJ | Partido NOVO
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