Digitalizar a aparência não é o mesmo que digitalizar a função.
O Brasil tem 95% das Unidades Básicas de Saúde com prontuário eletrônico, mas apenas 6% estão integradas à Rede Nacional de Dados em Saúde, segundo levantamento citado em análise do próprio sistema federal de saúde. Na prática, o médico da UBS pode não acessar o histórico do paciente atendido no hospital estadual, e a gestão municipal pode não enxergar o que a gestão estadual faz. O Ministério da Saúde planeja com dados fragmentados.
O resultado aparece na fila: no paciente crônico que refaz exames porque os sistemas anteriores não conversam; no recurso alocado no lugar errado porque o dado que orientou a decisão estava desatualizado. Um relatório do Banco Mundial estimou que a integração entre os níveis de atenção à saúde poderia gerar ganhos de cerca de R$ 7,7 bilhões ao sistema.
Algumas gestões tratam a compra de equipamento como entrega: instalam o hardware, fotografam a inauguração e seguem em frente. Mas infraestrutura desconectada não é modernização. É gasto sem retorno, pago pelo contribuinte, e sentido por quem espera.
Sistema sem integração não é sistema. É um conjunto de ilhas que fingem se comunicar.
Washington Sorio #WashingtonSorio
Acompanhe também no Instagram: https://www.instagram.com/washingtonsorio/