Em 2008, eu estava dentro de uma empresa diretamente impactada pela maior crise econômica em décadas. Sem manual. Sem certeza. Só decisão.
Nesse momento aprendi algo que nenhum indicador macroeconômico ensina: dado bom no papel e realidade vivida pelas pessoas são coisas completamente diferentes. E confundir os dois é o erro mais caro que um gestor pode cometer.
O Brasil de 2026 repete esse padrão com precisão cirúrgica. O desemprego está na mínima histórica e a economia cresceu, segundo comunicados oficiais. Ao mesmo tempo, 44% dos brasileiros dizem que a economia piorou nos últimos 12 meses, segundo levantamento citado pelo portal Cosmopoles em análise da economista Laura Carvalho (FEA-USP).
Esses dois números não se contradizem. Eles se explicam.
Quando o crescimento não chega na forma de poder de compra real, quando a inflação corrói o salário antes de ele sair da conta, quando o emprego existe mas a proteção não acompanha, o indicador verde vira percepção vermelha. O trabalhador sente isso no mercado, no aluguel, na conta de luz. Não no gráfico.
Isso não é problema de comunicação. É problema de gestão.
Passei mais de 30 anos medindo resultado em ambientes onde o dado errado custa caro. Aprendi que indicador sem interpretação não serve para decisão. Serve para discurso. E que o gestor que otimiza o número em vez de otimizar a vida das pessoas não está gerindo. Está se protegendo.
O Brasil não precisa de mais um índice para celebrar. Precisa de quem leia o dado certo, não o conveniente.
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Washington Sorio
Candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo #AndreMarinho #Zema #NOVO30
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