Em março de 2026, uma operação policial matou 121 pessoas no Rio em…

Washington Sorio

Em março de 2026, uma operação policial matou 121 pessoas no Rio em um único dia. É o maior número registrado em uma ação contra o Comando Vermelho. Esse dado parou o país.

E revelou algo que vai além da segurança pública. Revela o custo de décadas de gestão reativa. Não existe operação de emergência que substitua inteligência de longo prazo.

Não existe força de choque que compense anos sem estratégia territorial, sem dados abertos, sem responsabilidade por resultado. O Rio tem dois movimentos simultâneos que precisam ser lidos juntos. Em janeiro deste ano, os roubos de rua caíram 20,2%, o menor patamar em 21 anos.

No mesmo período, as mortes em assaltos quase dobraram. Queda em volume. Alta em letalidade.

Isso não é contradição. É sinal de um sistema que melhorou em alguns indicadores e piorou nos que mais custam vida. Um gestor lê os dois números.

Não escolhe o que é mais conveniente divulgar. A megaoperação de março virou combustível eleitoral imediato. Cada lado da polarização nacional usou os 121 mortos para confirmar o que já acreditava.

A direita viu prova de leniência anterior. A esquerda viu prova de brutalidade policial. Os dois lados usaram o mesmo dado para reforçar narrativas opostas.

Nenhum dos dois apresentou um plano. Enquanto isso, no Rio, articula-se uma chapa ampla para as eleições estaduais, reunindo MDB, PSD e aliados, com o objetivo declarado de preservar governabilidade e evitar rupturas entre lulismo e bolsonarismo no estado. A lógica é pragmática: isolar o Rio da guerra simbólica nacional.

O risco é real: alianças amplas sem metas verificáveis tendem a diluir accountability. Governabilidade sem transparência é só estabilidade para quem está dentro. A PF, no início de abril, abriu operação mirando desvio em contrato de R$ 1,6 bilhão com o SUS no Rio.

Mais um sinal de que o problema não é falta de recurso. É falta de controle sobre onde ele vai. O que o Rio precisa não é de mais uma narrativa sobre segurança.

É de gestão que funcione quando a câmera não está ligada. Metas públicas. Dados abertos.

Responsabilidade por resultado. Isso não resolve em um mandato. Mas sem isso, nenhum mandato resolve nada.

Eu venho do setor privado. Aprendi que resultado não aparece por decreto. Ele é construído, medido e cobrado.

É o que falta na gestão pública do Rio. E é o que me trouxe até aqui.

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