No primeiro trimestre de 2026, o número de pessoas baleadas em tiroteios no Rio subiu 6%, mesmo com a redução de 13% no número de tiroteios.
Esse dado não aparece nos comunicados oficiais. Mas está nos registros do Instituto Fogo Cruzado, publicados pela Agência Brasil em abril.
A leitura superficial comemora a queda. A leitura correta pergunta: por que mais pessoas estão sendo atingidas com menos disparos?
A resposta está na composição dos dados: 51% dos tiroteios de março ocorreram durante operações policiais, ou seja, em ações planejadas.
Quando a operação vira o instrumento principal, o risco de bala perdida tende a aumentar. Em março, oito pessoas foram atingidas por balas perdidas, com maior concentração na Zona Oeste.
O morador da Taquara não lê o boletim do ISP. Ele ouve o tiro.
E a sensação de insegurança que persiste, mesmo quando alguns indicadores melhoram, tem uma causa concreta: o dado que mede o resultado da operação não é o mesmo que mede o impacto na vida de quem mora na área.
Gestão eficiente não é só reduzir o indicador principal. É garantir que a solução não crie outro problema.
Transparência real exige abrir os dois conjuntos de dados, sem escolher qual publicar.
Não é sobre questionar quem opera. É sobre cobrar que o modelo evolua.
Quem entende de gestão sabe: quando o processo gera dano colateral crescente, o processo precisa ser revisado, não apenas repetido.
Material informativo institucional sem pedido de apoio eleitoral - Lei 9.504/97.
Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo