No Rio de Janeiro, quem espera por uma consulta com especialista no SUS costuma aguardar meses. Às vezes, mais de um ano.
Isso não é apenas falta de orçamento. É falta de governança e de organização na execução.
A audiência pública sobre a LDO da Saúde na Câmara do Rio e o webinário da Fiocruz e da Abrasco sobre a agenda legislativa do SUS para 2026 apontaram para o mesmo diagnóstico: o gargalo central não é a abertura de novos serviços, e sim a desorganização da rede existente.
Financiamento sem governança não reduz fila.
O debate sobre contratos com organizações sociais é um exemplo. Para alguns, as OSs trazem agilidade. Para outros, exigem fiscalização rigorosa. Em qualquer modelo, sem meta definida, sem indicadores de desempenho e sem auditoria contínua, a gestão não entrega.
O fluminense que precisa de um cardiologista ou de uma cirurgia eletiva não vive dentro desse debate. Ele vive na fila.
A regionalização do SUS, pauta central em 2026, destaca o problema real: serviços concentrados na capital, municípios do interior sem referência de média complexidade e regulação de fluxo que não funciona com critério clínico.
Isso não se resolve com conferência. Se resolve com método.
Passei 30 anos construindo e reestruturando operações com centenas de pessoas. O que separa uma estrutura que funciona de uma que apenas existe não é intenção nem recurso. É diagnóstico honesto, responsável definido e cobrança por entrega.
Saúde pública não é diferente: gestão com metas, transparência e consequência quando o resultado não aparece.
Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo
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