Num debate promovido pela Firjan em 2026, a médica Margareth Dalcolmo disse algo que raramente se ouve com essa clareza: a crise da saúde no Rio tem um nome, e esse nome é desarticulação crônica alimentada por indicações políticas na direção dos hospitais.
Não é abstrato. É o que explica por que um sistema com profissionais competentes, infraestrutura instalada e recursos federais continua entregando filas, rotatividade de equipes e atendimento irregular. Quando o critério de quem comanda um hospital é político, e não técnico, o gestor responde ao partido, não ao paciente.
O Conselho Estadual de Saúde do RJ discutiu, no mesmo período, o edital de concurso da Secretaria de Estado de Saúde, com tratativas sobre recomposição de gratificações e valorização de carreiras. São movimentos necessários. Mas contratar profissionais sem mudar o modelo de governança resolve metade do problema. A outra metade está em quem decide, com base em quê e com que responsabilidade.
Quem usa o SUS no Rio sente esse custo na prática: consulta que demora meses, exame sem data, encaminhamento que se perde no sistema. Não é falta de recurso em todos os casos. É falta de método, de métrica e de cobrança por entrega.
Passei mais de 30 anos conduzindo transições em organizações com centenas de pessoas. O que aprendi é direto: quando você separa quem decide de quem responde pelo resultado, o problema não some. Ele só fica mais difícil de resolver.
Gestão séria de saúde pública começa com um critério simples: o diretor de hospital responde por indicador clínico, não por filiação partidária.
Washington Sorio
3071 — Deputado Federal RJ | Partido NOVO
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