O aluguel no Rio subiu 42,7% entre maio de 2023 e maio de 2026. A inflação geral no mesmo período foi de 14,9%, segundo a BBC.
Em Copacabana, Ipanema e Leblon, o metro quadrado para locação mais que dobrou de preço entre 2021 e 2026, com altas de 101,8%, 108,3% e 105,7%, respectivamente, segundo levantamento reportado pela BBC.
No mesmo período, o desemprego caiu para 5,6% no trimestre até maio de 2026, menor nível desde 2012, conforme dados do IBGE divulgados pelo O Globo.
Esses dois números coexistem. E essa coexistência é exatamente o tipo de dado que o discurso oficial prefere não juntar na mesma frase.
Ter emprego e não conseguir pagar aluguel no bairro onde você sempre viveu não é paradoxo estatístico. É o resultado de uma gestão que mede o que é fácil de celebrar e ignora o que é difícil de explicar.
O morador da Tijuca que está sendo empurrado para mais longe não tem problema de emprego. Tem problema de custo de vida que cresceu três vezes mais rápido do que a inflação oficial.
Quando o indicador não mede o que importa, a gestão otimiza o indicador. Não a vida das pessoas.
Passei 30 anos em ambientes onde dado errado custa caro. Aprendi que crescimento que expulsa quem constrói a cidade não é crescimento. É transferência de endereço.
O Rio precisa de quem leia o dado certo. Não o conveniente.
Washington Sorio
Candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo
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