O DER-RJ não tinha dinheiro para capinar beira de estrada. No mesmo…

Washington Sorio

O DER-RJ não tinha dinheiro para capinar beira de estrada. No mesmo estado, o governo anunciou R$ 688 milhões para contenção de encostas e mais de R$ 1,5 bilhão em drenagem até 2028.

Esses dois fatos coexistem. E essa coexistência revela o problema central da infraestrutura pública no Rio: não é escassez de anúncio. É colapso de capacidade de execução.

Segundo reportagem do jornal O Globo (julho de 2026), o DER-RJ teria herdado uma situação sem recursos para manutenção básica e precisou pedir verba suplementar ao governo estadual para obras essenciais. No mesmo período, a Prefeitura do Rio oficializou contratos superiores a R$ 560 milhões para Rocinha e Complexo do Alemão dentro do Novo PAC, e o PAC das Encostas foi ampliado para 17 intervenções com recursos do Ministério das Cidades.

Fragmentação é o diagnóstico técnico correto. Muitas frentes simultâneas, com diferentes fontes de financiamento, diferentes responsáveis e sem painel público unificado de acompanhamento, competem pela mesma capacidade técnica escassa. O resultado histórico é conhecido: obras que começam, param, retomam e voltam a parar.

Para quem mora em área de encosta ou em rua que alaga a cada chuva forte, a diferença entre R$ 688 milhões anunciados e R$ 688 milhões entregues não é detalhe contábil. É a diferença entre perder ou não perder o que tem.

Gestão séria de infraestrutura começa antes do contrato ser assinado. Começa no diagnóstico da capacidade real de execução, na definição de prioridade com critério técnico e na criação de mecanismo de rastreamento público por obra, por etapa e por responsável.

Verba sem governança não é investimento. É problema mais caro esperando para acontecer.

Washington Sorio
3071 — Deputado Federal RJ | Partido NOVO
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