O estado do Rio afirma ter reduzido a espera por cateterismo cardía…

Washington Sorio

O estado do Rio afirma ter reduzido a espera por cateterismo cardíaco de 79 para 20 dias. A espera por cirurgia bariátrica caiu de 1.300 para 476 dias. São números do próprio governo fluminense, divulgados pela SES-RJ em 2026.

Se forem verdadeiros, são avanços reais. Mas revelam algo que o debate público ainda não processou: quando a gestão define meta, mede resultado e cobra entrega, o sistema se move. O problema é que isso virou exceção, não padrão.

No mesmo período, o estado anunciou R$ 210 milhões em repasses extras para três hospitais municipalizados da capital, Albert Schweitzer, Pedro II e Rocha Faria, segundo a SES-RJ. Valor adicional aos R$ 650 milhões já previstos para municípios ao longo de 2026. São R$ 860 milhões no total.

Repasse extraordinário para cobrir custeio básico não é eficiência. É sinal de que o modelo de financiamento entre estado e municípios não funciona com previsibilidade.

A rede de saúde do Rio depende de transferências emergenciais para manter hospitais abertos. Isso não é sustentabilidade. É gestão de crise permanente.

E há um detalhe que passou quase despercebido: uma lei estadual obrigou hospitais e clínicas privadas a divulgar ocupação e disponibilidade de leitos de UTI e CTI. O governador interino vetou os trechos que previam envio de listagens à Alerj e multa diária de R$ 50 mil por descumprimento, conforme noticiado pelo G1 em julho de 2026.

Transparência com dente foi vetada. Ficou só a obrigação sem consequência.

Para quem usa o SUS na Zona Oeste, em Vassouras ou na Baixada, o que importa não é o anúncio. É se o leito existe, se o médico está no posto e se o remédio está na prateleira quando a consulta acontece.

Investimento sem governança não fecha fila. Anúncio sem métrica não muda realidade.

Washington Sorio
Candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo

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