O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga um esquema de R$ 86 milhões no Instituto Rio Metrópole, com indícios de licitações fraudadas e contratos direcionados, segundo informações divulgadas pelo MPRJ.
No mesmo período, o Governo Federal formalizou R$ 860 milhões em obras de infraestrutura e saneamento para a Maré, Rocinha e Complexo do Alemão, conforme noticiado pelo O Globo e O Dia em junho de 2026.
Esses dois fatos juntos revelam o problema real.
Não é falta de recurso. O Rio recebe verba federal em volume expressivo. O gargalo está na camada que fica entre o anúncio e a obra entregue: os órgãos de planejamento, os processos de contratação e a fiscalização durante a execução.
O Instituto Rio Metrópole foi criado para planejar a infraestrutura metropolitana. Segundo o MPRJ, o instituto teria sido usado como instrumento de enriquecimento ilícito. Isso não é detalhe. É o ponto central.
Quem mora em área de risco na Maré ou no Alemão não precisa saber o valor do contrato assinado em Guaratiba. Precisa ver a obra sair do papel, não parar na metade e funcionar depois de pronta.
Isso exige algo que não aparece em cerimônia de lançamento: diagnóstico técnico antes do gasto, responsável identificado por etapa, fiscalização durante a execução e métrica de resultado verificável no final.
Passei 30 anos em ambientes onde recurso mal alocado tem nome, data e consequência. Aprendi que capacidade de execução não se improvisa. Se constrói antes, com método.
Verba federal disponível com estrutura de controle comprometida não é solução. É o próximo escândalo esperando para acontecer.
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Washington Sorio
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