O Ministério Público do Rio denunciou dois policiais militares pela…

Washington Sorio

O Ministério Público do Rio denunciou dois policiais militares pela morte de Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, ocorrida em abril de 2015 no Complexo do Alemão.

O menino estava sentado na entrada de casa, brincando com um celular. Foi atingido pelas costas, a aproximadamente quatro metros de distância, por um tiro de fuzil durante uma ação policial. Segundo a denúncia do MPRJ, o crime foi praticado em circunstâncias que dificultaram qualquer possibilidade de defesa da vítima.

Onze anos depois, o caso ainda revela uma falha institucional: não apenas a brutalidade do episódio, mas a ausência de urgência na responsabilização.

Quando o Estado demora onze anos para formalizar uma acusação por homicídio qualificado de uma criança, ele comunica algo preciso sobre como funciona sua estrutura de responsabilização.

Para quem vive nos territórios onde essas operações acontecem, a consequência é concreta. A sensação de que a vida de certas pessoas vale menos não vem de um discurso. Vem do tempo que o sistema leva para agir, ou para não agir.

Justiça que chega com onze anos de atraso não é justiça plena. É o mínimo tardio.

Gestão séria de segurança pública exige rastreabilidade, prazos e responsabilização que não dependam de quanto tempo a pressão externa consegue sustentar um caso. Quando o processo só avança porque a memória resiste, o problema não é só de conduta individual. É de arquitetura institucional.

Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo

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