O MPT-RJ investiga fraudes em contratos de organizações sociais na saúde. Não é novidade. É padrão.
No fim de março, mais de 600 pessoas se reuniram no Encontro Estadual de Saúde do Rio. Uma das demandas mais repetidas: acabar com terceirizações sem controle e retomar concursos públicos como base da gestão hospitalar.
Isso diz algo preciso sobre o problema.
Quando o Estado terceiriza sem critério, ele não transfere responsabilidade. Ele transfere o risco para o paciente.
Os contratos com OSs foram criados para ganhar agilidade. Em muitos casos, geraram o oposto: desvio de recursos, contratações sem especialização e atendimento degradado. O MPT-RJ está investigando exatamente isso.
Para quem usa o SUS no Rio, o resultado é concreto: fila mais longa, equipamento quebrado, profissional sem vínculo e sem comprometimento de longo prazo.
O problema não é o modelo em si. É a ausência de accountability real sobre ele.
Contrato sem auditoria é convite ao desvio. Sempre foi.
Já conduzi processos de reestruturação em empresas com centenas de funcionários. A lição que fica é simples: quando você não sabe quem é responsável pelo resultado, o resultado não aparece.
Na saúde pública, isso custa vidas.
O que precisa mudar não é apenas o modelo de contratação. É a exigência de que cada real gasto tenha um responsável identificado, uma meta mensurável e uma consequência real em caso de falha.
Gestão não é sobre quem opera o hospital. É sobre quem responde quando o hospital falha.
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O MPT-RJ investiga fraudes em contratos de organizações sociais na …