O próprio governo federal admitiu, na Marcha dos Prefeitos de maio de 2026, que o problema do SUS não é só falta de dinheiro. É falta de gestão municipal.
Essa admissão passou despercebida no debate público. Mas ela muda o diagnóstico.
Durante anos, a conversa ficou travada numa dicotomia falsa: mais recurso ou mais eficiência. Como se fossem opostos. Como se um excluísse o outro.
O Ministério da Saúde foi à Marcha dos Prefeitos defender o programa Agora Tem Especialistas e ampliar acesso via PAC. São iniciativas legítimas. O problema é o que vem depois do anúncio.
Fila por especialista no Rio não é só ausência de médico. É ausência de coordenação entre municípios, de critério de prioridade clínica, de contrato com meta verificável e de profissional que permanece no posto.
A Câmara do Rio discutiu, na audiência pública sobre a LDO da Saúde, exatamente esses pontos: contratos com organizações sociais, condições de trabalho e atendimento à população em situação de vulnerabilidade. São temas de gestão, não de ideologia.
Quando a operação falha, a intenção não resolve.
Eu conduzi reestruturações em organizações com centenas de pessoas, em cenários de pressão real. O que separa uma estrutura que funciona de uma que apenas existe não é o volume de recurso que entra. É diagnóstico honesto, responsável definido, prazo real e métrica de resultado no final.
Saúde pública precisa do mesmo padrão. Não é exigência nova. É o mínimo que qualquer gestão séria deveria entregar.
Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo
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