O Rio de Janeiro acumula 24,1 milhões de menções sobre crime organizado, medo social e Estado paralelo em sete meses, segundo levantamento da Ativaweb DataLab citado pela Veja. O estado fica atrás apenas de São Paulo no volume de conversas sobre insegurança.
Esse número não mede só violência. Mede ausência de Estado.
O debate político de 2026 organizou três respostas para esse problema: endurecer penas, integrar dados e inteligência, ou investir em prevenção social. Os três caminhos têm defensores. Nenhum, sozinho, resolve.
Quando facções controlam territórios, o indicador que cai não é necessariamente o de homicídios. É o de liberdade: o morador para de circular, o comércio paga taxa para funcionar, a escola fecha mais cedo. A violência pode não aparecer no boletim e, ainda assim, estar presente na rotina.
Em maio de 2026, a FGV reuniu autoridades e especialistas no Rio para discutir segurança como problema de desenho institucional, não apenas de repressão. O sinal é relevante: parte do campo técnico já entendeu que o modelo atual gera ações desconectadas entre União, estados e municípios, sem meta compartilhada e sem responsabilidade clara por resultado.
Reconhecer o problema em fórum e mudar o modelo de gestão são coisas diferentes.
O custo real dessa fragmentação não aparece nos comunicados. Aparece no tempo perdido, no trajeto evitado e na oportunidade que não chegou porque o endereço era errado.
Segurança pública sem métrica de resultado não é política. É administração do caos.
Quem entende de gestão sabe que problema complexo exige coordenação, dados e responsabilidade por entrega. Não é escolha entre os três.
Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo
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