O Rio de Janeiro virou laboratório de um experimento que o Brasil já conhece bem: quando a disputa política se organiza em torno de identidade, os problemas concretos ficam sem dono.
Em julho de 2026, a Folha de S. Paulo descreveu o estado como “palco de disputa particular” entre Lula e Flávio Bolsonaro. A análise aponta três fatores que explicam esse movimento: a origem política de Bolsonaro, o vazio deixado pela Lava Jato com a prisão de ex-governadores e a captura de lideranças locais sem referência nacional.
O resultado prático desse vácuo não é abstrato. É um estado que chega a 2026 reorganizando mais de 2,5 mil cargos após a saída do governo anterior, enquanto obras esperam, contratos precisam de auditoria e serviços públicos dependem de exceção para funcionar.
O fluminense que pega ônibus, espera no SUS ou vive em área dominada por facção não está escolhendo entre dois polos. Está pedindo respostas simples: qual é a meta de atendimento? Quem assina o contrato? Quando a obra termina?
Essas perguntas não aparecem em palanque de pré-campanha presidencial. Aparecem na gestão.
O Rio não tem déficit de intensidade política. Tem déficit de especificidade. Metas sem prazo, contratos sem publicação, obras sem responsável.
Quando a disputa se organiza só em torno de símbolos, quem paga a conta é quem depende do serviço público para viver.
Gestão não é torcida. É meta, prazo e responsável.
Washington Sorio
3071 — Deputado Federal RJ | Partido NOVO
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