O Rio decretou ponto facultativo, fechou parques e suspendeu aulas diante de ventos previstos para ultrapassar 90 km/h, segundo a CNN Brasil (agosto de 2026). O Governo do Estado instalou um Gabinete de Crise às 6h para coordenar a resposta dos órgãos estaduais, também conforme a CNN Brasil (agosto de 2026).
A resposta foi rápida. O problema é o que vem antes disso.
Crise climática não começa no dia do ciclone. Começa nos anos em que o plano de drenagem não foi feito, em que o mapeamento de risco ficou na gaveta, em que a infraestrutura de resposta não foi construída. Segundo o Instituto Trata Brasil, 94,7% dos municípios brasileiros não possuem plano de drenagem urbana. O sistema AdaptaBrasil, do MCTI, aponta que mais de 3,7 mil cidades têm risco de médio a muito alto de inundações e enxurradas.
O Rio de Janeiro não é exceção. É o retrato mais visível de um padrão nacional.
Para quem mora em área de encosta ou em bairro com histórico de alagamento, o Gabinete de Crise é a última linha de defesa. Não a primeira. Quando a gestão preventiva falha, quem paga o preço não é o comunicado oficial. É o trabalhador que não consegue chegar ao emprego, a família que perde o que construiu, a criança que fica sem aula sem aviso de quanto tempo vai durar.
Passei mais de 30 anos dentro de organizações aprendendo que crise gerenciada na véspera é crise que já estava prevista e não foi tratada. Gestão séria não é só responder bem à emergência. É reduzir a frequência com que a emergência acontece.
O Brasil que trabalha merece infraestrutura planejada, não só gabinetes de crise bem coordenados.
Washington Sorio
3071 — Deputado Federal RJ | Partido NOVO
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