O Rio tem desemprego de 5,8% e PIB estadual crescendo 4,2% no primeiro trimestre de 2026. E o salário mediano de quem foi contratado na cidade em abril foi de R$ 1.810,00, segundo o Caged.
Esses dois dados juntos revelam o que os comunicados oficiais não mostram.
O emprego está crescendo. A renda mediana não acompanha o custo real de morar no Rio. Um apartamento pequeno em Copacabana, Ipanema ou Leblon pode custar R$ 3.000 ou mais de aluguel por mês. O metro quadrado para locação nesses bairros mais que dobrou entre 2021 e 2026, segundo levantamento citado pela BBC.
Com R$ 1.810 de salário mediano, esse custo é simplesmente inviável.
O resultado prático é exclusão residencial. Moradores de classe média estão sendo deslocados para fora das áreas onde trabalham. A cidade cresce no agregado e encolhe no cotidiano de quem sustenta esse crescimento.
Esse é o tipo de descompasso que gestão séria precisa enxergar antes de virar crise. Crescimento que não se traduz em qualidade de vida para quem está na base da distribuição não é resultado. É número.
Passei 30 anos em ambientes onde indicador sem cobrança é decoração. Aprendi que dado bom no relatório e vida difícil na prática indicam o mesmo problema: falta de critério sobre o que realmente está sendo entregue e para quem.
O Rio merece uma gestão que leia os dois números ao mesmo tempo.
Washington Sorio
Candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo
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