O Rio tem desemprego de 5,8% no primeiro trimestre de 2026, o menor em dez anos, segundo a Firjan. E 69% dos cariocas dizem que seu poder de compra caiu no mesmo período, segundo o Blog do IBRE/FGV.
Esses dois números juntos revelam uma falha de gestão que não aparece nos comunicados oficiais. O emprego cresceu. A renda não acompanhou o custo de viver aqui. O aluguel médio no Rio subiu 42,7% entre maio de 2023 e maio de 2026, enquanto a inflação geral no período foi de 14,9%, conforme levantamento citado pela BBC Brasil. Em Copacabana, o preço do aluguel mais que dobrou nos últimos cinco anos.
O que isso significa na prática? Ter emprego no Rio não garante mais ficar no Rio. O trabalhador que conquistou uma vaga está sendo expulso do bairro onde sempre viveu. A cidade está crescendo no indicador que aparece no relatório e encolhendo no que importa para quem acorda cedo todo dia.
Passei mais de 30 anos dentro de organizações aprendendo uma coisa simples: quando o dado de desempenho melhora, mas a percepção de quem está dentro piora, o problema não é de comunicação. É de métrica errada. Você está medindo o que é fácil de medir, não o que precisa ser resolvido.
Gestão pública que celebra emprego sem olhar para moradia, transporte e custo de vida não está gerindo. Está administrando aparência.
O Brasil que trabalha merece ser medido pelo que de fato entrega, não pelo que é conveniente anunciar.
Washington Sorio
Candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo
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