O subsecretário de Turismo de Búzios cobrava entre R$ 1 mil e R$ 3 mil para permitir festas em embarcações sem alvará e sem fiscalização, segundo denúncia do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).
Não é um desvio isolado. É a lógica do cargo público transformada em portagem: quem paga, opera. Quem não paga, fecha.
O esquema investigado envolve o subsecretário Sérgio Ferreira dos Santos e o ex-coordenador de Trânsito e Transporte Igenes Lopes Santos Filho, ambos presos em julho de 2026. Os crimes imputados incluem organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, conforme apuração divulgada pelo MPRJ e reportada pela CNN Brasil.
Para o empresário que tenta trabalhar dentro da lei em Búzios, isso tem um custo concreto: o concorrente que pagou o envelope operou. O que não pagou ficou parado. O alvará virou moeda de troca, não instrumento de segurança pública.
Isso não é problema de uma cidade turística. É o padrão de qualquer estrutura em que o agente público controla o acesso sem rastreabilidade, sem auditoria e sem consequência rápida.
A fiscalização existe para proteger quem usa o serviço e para garantir que as regras valham para todos. Quando ela vira fonte de renda paralela, o Estado não está regulando. Está cobrando pedágio.
Gestão séria começa por controles que tornam o desvio difícil antes que ele se instale, não por operações que chegam anos depois.
Washington Sorio #WashingtonSorio
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