Os policiais deixaram as câmeras corporais dentro de um saco plásti…

Washington Sorio

Os policiais deixaram as câmeras corporais dentro de um saco plástico no batalhão antes de sair para a operação. Segundo a Defensoria Pública do Rio, a conduta teria sido intencional.

Isso não seria falha técnica. Seria a destruição deliberada da evidência antes de ela existir.

A morte de Daniel da Costa Ferraz, de 19 anos, no Complexo do Chapadão, em maio de 2024, ficou sem registro externo justamente porque o instrumento criado para garantir esse registro teria sido neutralizado por quem deveria utilizá-lo.

As imagens que a GloboNews acessou indicam ainda outro ponto: haveria combinação da versão que seria apresentada na delegacia. A câmera que ficou no batalhão registrou o que aconteceu antes da operação. A que deveria ir a campo não foi.

A família afirma que Daniel ia para a escola e dava aulas de capoeira. Não havia envolvimento com o crime.

A versão apresentada na delegacia foi outra.

Esse caso evidencia uma falha de gestão que vai além da conduta individual de dois policiais. Câmera corporal obrigatória sem protocolo de verificação de uso não é controle. É ilusão de controle.

Quando o instrumento de rastreabilidade pode ser desativado sem consequência imediata, ele deixa de cumprir sua função. E quem mora nos territórios onde essas operações acontecem paga o preço dessa lacuna.

Gestão séria de segurança pública exige que o dado seja preservado, auditado e rastreável, não apenas quando convém.

Sem isso, a câmera corporal vira peça de comunicação institucional. Não de responsabilização.

Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo #AndreMarinho #Zema #NOVO30

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