Quatro linhas de ônibus pararam de circular no Rio por causa de uma crise entre operadoras. Voltaram a rodar após dias de interrupção.
O passageiro não viu explicação. Viu o ônibus sumir.
Esse padrão se repete no transporte público carioca há décadas. A crise não começa no dia em que o ônibus para. Começa antes, quando contratos são mal estruturados, quando indicadores de desempenho não existem ou não são cobrados, e quando a gestão da concessão trata o serviço como negócio privado sem obrigação pública real.
Quando a operadora entra em colapso, quem paga o preço não é o acionista. É o trabalhador que acordou às 5h e ficou na parada sem saber se o ônibus ia passar.
O problema não é a crise em si. É que ela era previsível e evitável.
Concessão de transporte público exige monitoramento contínuo, cláusulas de performance com consequências reais e capacidade técnica do poder público para intervir antes do colapso, não depois.
Quando a gestão espera a quebra para agir, o custo já foi transferido para quem não tinha outra opção.
Serviço essencial não pode depender de sorte operacional. Depende de contrato bem feito e de quem saiba cobrar o que foi contratado.
Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo
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