Um ministro do STF foi a um evento da Firjan, em agosto de 2026, para dizer que o Rio de Janeiro tem um problema de segurança pública que não é só social. E que o caminho passa por cortar o fluxo financeiro do crime organizado.
Essa declaração, feita pelo ministro André Mendonça durante a série “Diálogos com o Judiciário” promovida pela Firjan, merece atenção não pelo cargo de quem a fez, mas pelo que ela revela sobre o diagnóstico que o campo técnico e jurídico já consolidou: facção que não tem dinheiro não tem arma, não tem recrutamento, não tem território.
O crime organizado no Rio não é um fenômeno de pobreza. É um fenômeno de gestão financeira paralela. Extorsão de comércio, cobrança de taxa sobre serviços básicos, lavagem em empresas formalmente constituídas. Quem paga essa conta não é abstrato: é o dono de padaria da Zona Norte, o motorista de aplicativo que evita determinado bairro e o trabalhador que paga mais caro pelo gás porque o distribuidor oficial não entra na comunidade.
O problema é que reconhecer o diagnóstico em fórum não é o mesmo que montar uma estrutura de responsabilização por resultado. Combater fluxo financeiro exige coordenação entre COAF, Receita, Ministério Público, polícias estadual e federal, com meta definida e alguém respondendo pelo que não foi entregue. Sem isso, o discurso correto vira mais uma declaração bem-intencionada sem endereço de execução.
Gestão séria não começa pela operação. Começa por definir quem é responsável pelo quê, com qual prazo e com qual métrica de resultado. O Rio já tem diagnóstico suficiente. O que falta é quem organize a entrega.
Washington Sorio
3071 — Deputado Federal RJ | Partido NOVO
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