Um princípio de incêndio num hospital de Botafogo, em junho de 2026, forçou a retirada de pacientes às pressas.
Não houve vítimas fatais. Mas o evento revela algo que vai além do episódio em si.
Hospital não é escritório. Paciente internado não pode simplesmente sair pela porta de emergência e esperar do lado de fora. Há pessoas em ventilação mecânica, em pós-operatório e em UTI. A evacuação de cada uma delas exige protocolo treinado, equipe designada e rota validada com antecedência.
Quando isso funciona, o incidente vira notícia de rotina. Quando não funciona, vira tragédia.
O que esse tipo de ocorrência expõe não é só risco físico. É ausência de gestão preventiva.
No setor privado, auditoria de segurança predial, brigada de incêndio treinada e plano de evacuação atualizado são exigências básicas de operação. No ambiente hospitalar, esse padrão precisa ser ainda mais rigoroso, porque o custo de falha é medido em vidas que não têm mobilidade para se proteger sozinhas.
A pergunta que fica não é se o hospital tinha extintor. É se havia protocolo de continuidade assistencial testado. Se a brigada estava dimensionada para o número de leitos. Se o Corpo de Bombeiros havia feito vistoria recente. Se havia plano de transferência de pacientes críticos com destino definido.
Essas perguntas têm respostas verificáveis. E a população tem o direito de conhecê-las.
Gestão hospitalar séria não começa no dia do incidente. Começa no mapeamento de risco, no treinamento periódico e na auditoria que ninguém quer pagar antes que algo aconteça.
O resultado de uma operação de saúde não se mede só pelo que foi tratado. Mede-se também pelo que foi prevenido.
Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo
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