Uma tromba de elefante asiático encontrada em um antiquário no Cent…

Washington Sorio

Uma tromba de elefante asiático encontrada em um antiquário no Centro do Rio, sem documentação de origem, sem registro de importação e sem autorização dos órgãos competentes.

A Polícia Federal apreendeu a peça em junho de 2026, após tomar ciência da possível comercialização. A investigação não começou por monitoramento sistemático de comércio de fauna exótica; começou porque alguém avisou.

Esse detalhe importa mais do que a peça em si.

O elefante asiático é espécie listada na CITES, a convenção internacional que regula o comércio de fauna e flora ameaçadas. Qualquer parte desse animal exige cadeia documental clara: origem lícita, importação regular e autorização dos órgãos competentes. Nada disso foi apresentado no momento da fiscalização.

O caso não revela apenas descuido de um antiquário.

Revela que o comércio de fauna exótica no Brasil ainda opera em grande parte na informalidade, e que o Estado só reage quando o sinal chega por denúncia. Não quando o sistema detecta.

Para o cidadão comum, o custo não é abstrato. O mercado ilegal de fauna financia cadeias criminosas, corrói a fiscalização legítima e coloca o Brasil em risco de sanções internacionais em acordos que afetam comércio, turismo e reputação.

A peça segue para perícia. O resultado vai confirmar a espécie e a natureza do material. Mas a pergunta que fica não depende da perícia.

Quantas peças passaram sem que alguém avisasse?

Washington Sorio
Pré-candidato a Deputado Federal RJ | Partido Novo

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